
Não me importa que dia é hoje. Nem quero que me importunem com esse detalhe. Hoje o mundo é apenas uma mesa de café. Faço questão de me preparar, quero que minha convidada perceba minha elegância. Não é todo dia que consigo uma audiência com essa Dama. Um bom café, na verdade faço questão de fazer a reserva no melhor café do bulevar.
Chego 10 minutos antes para garantir que tudo saia da maneira da qual quero que saia. A mesa, de baixo de um velho salgueiro já está posta, e da maneira que pedi. Entrego minha cartola e bengala a um garoto e me sento a sua espera. Mal eu havia sentado percebo que a minha convidada acabava de entrar sob o portal. Estava adiantada eu penso, não faz mal.
Ela se senta, com bastante beleza e delicadeza. Está mais linda do que a ultima vez que a vi. Seu vestido branco me transmite uma áurea de paz surpreendente Seus cabelos negros brilham sob os raios de sol da tarde.Tento disfarçar meu olhar de admiração, mas ela percebe. Ela faz questão de me encarar. E olhando nos meus olhos ela diz com bastante frieza e razão:
-Não é a sua hora, seu castigo ainda não findou. Eu sinto muito.
Mal tenho forças para lhe olhar nos olhos. Eu não sei perder. Levanto-me com pressa e tomo minha cartola e bengalas da mão do rapaz, não olho para traz. Não me interessa mais.
Saio correndo pelas ruas claras e cheias de gente do bulevar. As lagrimas saltam dos meus olhos. Não quero acreditar, não posso acreditar. Mais 100 anos.